O ódio em banho maria

Eu te odeio
Que controle é esse que você tem? Quando você o conquistou?
Mesmo depois de tudo, eu busco olhar pra mim pra justificar seus erros.
Eu te odeio, mas odiar não é suficiente. Meu ódio, pra minha infelicidade, é um ódio compassivo. Não é pena, não é dó. Eu queria entender o que é.
Eu te odeio.
Eu não quero te ver mais na minha vida, e ao mesmo tempo, por um capricho divino, antes de renegar todas as coisas que vivemos, eu tenho que lembrar que as vivemos. É como se você caprichosamente estivesse nos lugares onde eu queria que você não estivesse. E você não está. Eu estou.
Eu te levo comigo, e eu só queria não levar ninguém.
Eu sei, é o tempo que vai te levar da minha vida. Mas que engraçado é esse tempo, que até quando eu estou longe, me faz lembrar de você.
Eu te odeio.
Você conseguiu descobrir meu pior lado. Do pouco mérito, te dou isso,
Mas eu te odeio.
Você foi um sonho que eu sonhei sozinho, e que habita minha mente. Nada mais. Você sabe o que vivemos, eu não. Mas apesar disso, você está presente no que eu vivo agora.
E eu te odeio.
E eu queria te odiar mais. Eu queria te esquecer hoje, eu queria te esquecer ontem. Eu queria te esquecer todos os dias desde quando a verdade começou a aparecer.
Eu te odeio.
Mas no fim, eu queria não te odiar. No fim, o que eu queria era não querer nada. Esse texto só existe porque você foi presente demais sendo presente de menos.
Eu te odeio.
Mas quero que você fique bem com suas escolhas. Ou não quero. Eu não tenho que querer nada sobre suas escolhas. Eu tenho que querer sobre as minhas, minha escolha hoje é te odiar.
E eu te odeio.
Não tanto quanto eu gostaria, mas mais do que um dia pensei. E sigo te odiando, porque o que você me representa hoje é dor. Mas a ferida fecha, sei que vai passar. Porém, por enquanto, eu só te odeio.
Eu te odeio, mas queria não te odiar. Seja pra te esquecer, seja pra te lembrar.

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